Hit the world road

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Primeiro regresso à santa terrinha

Depois do merecido descanso da guerreira, e novo mergulho profissional no escritório lisboeta, o balanço da primeira missão é positivo.
O Dubai é definitivamente um país de futuro, pela diversidade de nacionalidades e lingua comum adoptada, pela atitude de tolerância e segurança generalizada, pela estabilidade que se respira.
Se calhar, daqui a uns meses ,já estarei com outro espirito, mas por enquanto, deixo-me envolver devagarinho por tudo o que acontece e a uma velocidade de cruzeiro que iria irritar qualquer um, menos eu.
Hoje em dia quer-se tudo depressa demais e não se goza nem o antes, nem o durante, ficando sempre na boca e na alma uma sensação de "pouco" quando as pessoas estão ansiosamente a correr por nada de concreto. Giro mesmo é fazer de conta que estamos ocupados com qualquer coisa, quando afinal nem se percebe muito bem se quer realmente chegar a qualquer lado. Necessidade imensa de dar nas vistas, de ser reconhecido. Total perca de visão futura. Lá à frente, o que quer que nos esteja para acontecer, está lá. Á nossa espera.

Portugal continua tristonho e infeliz, não obstante o bom tempo. As pessoas parecem pesarosas e pouco dadas a anedotas...crise.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O PAÍS

Hoje com um bocadinho de tempo, vou tentar fazer um resumo do que ainda me falta dizer sobre este emirato. O Dubai faz parte de um conjunto de 7 emiratos, cada um deles regido por um sheik que por sua vez, visto a proximidade geográfica, faz parte de uma grande familia dominante. A hierarquia e poder são absolutos, no sentido em que existem estes laços, não impedindo uma visão estratégica para a zona em si, com evolução rápida, mas em que cada pais tem os seus recursos próprios. Independentemente da tradição árabe, sente-se muita influência inglesa, que foi marcante até à constituição dos emiratos, noas anos 70.
Há fotografias do sheik em todo o Dubai e bastante informação sobre o seu trabalho nos media e quer se leia um jornal local em inglês ou em árabe. A televisão local e por cabo tem cerca de 40 canais, em que existem programas em árabe e nas nacionalidades mais presentes no país: inglesa e indiana. Uma grande parte da população local emigrante percebe uma ou as duas linguas mais usadas. Das novelas de 3 horas produzidas em Bollywood até provas dos Jogos Olimpicos a decorrer, passando pela campanha para as presidenciais, nunca nos sentimos longe de casa.

Os supermercados de bairro são limpos e correctos, mas devido ao calor e poeira constante das obras, não há mercearias, padarias ou pequeno comércio local. Os centros comerciais são enormes e decalcados dos ocidentais, sem chegarem ao mau gosto americano e com gama de produtos e marcas que toda a gente conhece: Mango, Massimo Dutti, Pizza Hut.... e claro tudo o que é luxo: Cartier, Vuitton, Sony, etc.

Os carros na sua maioria são enormes, modernos e robustos, porque aqui vive-se muito dentro do carro pela distância. Encher um depósito custa 10 Euros e um automóvel é muito barato comparativamente com a Europa.

As casas é que não são casas. Dubai é uma cidade com vários bairros de arranha-céus, qual dele o mais ousado e alto. Acho que já disse que o trânsito muda todos os dias porque estão sempre a construir. No ar, ouvem-se martelos e no chão, descarrega-se material de construção. Grupos de operários devidamente equipados trabalham sempre e sempre:chineses, paquistaneses nas obras. Nos serviços, há sobretudo filipinas que servem refeições, cafés, registam compras nas caixas de supermercado e arrumam prateleiras.

Não sei onde andam os ocidentais. Só os vejo à noite nos cafés e nos restaurantes ou numa loja de conveniência. Nos centros comerciais e recepções de hoteis de cadeias internacionais, reunem-se nacionalidades e discutem-se negócios.

Há constantemente uma sensação de futuro, de andar para a frente. Mas a linguagem corporal é muito contida. Nada de grandes efusões emocionais, abraços ou beijinhos. Existe uma distância corporal, só podendo os de fora avançar a mão para cumprimentar se o dubaii a estender. Tudo o resto pode ser considerado ofensivo. As mulheres não devem suster o olhar quando um homem as fixa, mas em ambiente de trabalho, se não o fizer, pode ser tomada como subserviente. Não podemos como mulheres usar decotes, sais curtas, calções ou roupa insinuando curvas ou formas do corpo. Há mulheres que trabalham vestidas à ocidental, outras com a cabeça tapada, outras totalmente tapadas e outras ainda mais tapadas, todas de preto, só com olhos de fora.

Enfim, um mundo....

Volto logo à noite a Portugal.

domingo, 24 de agosto de 2008

Outros mundos.....

Já percebi porque não há cães no Dubai. Podiam fazer cócó e chichi em todo o lado e se as pessoas quisessem rezar, não sabiam onde se iam colocar porque o chão estava impuro.

Já percebi porque a lingua oficial do Dubai é o inglês. Tanta nacionalidade junta, num país de oportunidades para todos só podia ter uma lingua comum para não haver ninguém a dizer que não gostava e não queria ficar e que era um infeliz e um refugiado, etc.

Já percebi porque é que as pessoas gostam de viver aqui mesmo sendo estrangeiras. Só vem quem suporta o calor, quem sabe que a vida é cara, quem percebe que afinal se pode viver num país diferente e com um estilo de vida bastante bom. E para isso, é preciso trabalhar muito, respeitar os sheiks que reinam por estas terras, mas tem-se segurança, é-se tolerante com outros, porque aqui somos todos outros e acabamos por nos sentir em paz connosco. Olha-se à volta e somos todos outros: chineses, alemães, ingleses, pakistaneses, franceses, holandeses, egipcios, libaneses, canadianos, americanos, portugueses, filipinos ou espanhois....não vale a pena! Somos todos outros, que não do Dubai.

Será isto outro mundo? Outro planeta? Tanta mistura e tanta entreajuda. Tanta cor de pele e tanto sorriso. Vejo o rosto asiático e ele vê o meu de ocidental enquanto todos sorrimos para um africano. Até parece que estou no meio de uma cantiguinha de crianças com todos de mãos dadas. Se eu contasse isto a alguém no meu cantinho à beira-mar plantado , ou haveria bocejos ou alguém nem iria acreditar. Também é para o lado em que eu durmo melhor.

Não tenho que justificar esta imensa vontade de fazer parte deste carrocel com uma dimensão de casas que se erguem até ao céu em uma unica estrada de cinco faixas de rodagem, que terminam na areia e que me poem tonta cada vez que olho para o céu. E quando perguntamos aos unicos verdadeiros nativos que são uma minoria, a resposta intriga: "Não acha engraçado? As pessoas falam sobre a nossa forma de estar no mundo, mas no fundo além de nós sermos felizes, há cada vez mais gente a querer vir viver para cá. Não me diga que é do calor. Eu acho que é mesmo porque se sentem bem aqui." E depois sorriem.....

É incrivel ter esta visão das coisas. Quem quer andar tapado, anda. Quem quer andar destapado, anda. Mas ninguem vai tentar ser desrespeituoso perante um paraiso destes! A vida cresce muito depressa por aqui. Todos os dias os acessos à cidade sofrem alterações e tudo segue em frente, sem sofreguidão. Só um bocadinho de pressa. Mas sem stress.

Vou ficar a ver mais um bocadinho para ver se se confirma esta versão ou se há outra.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

VIDA REAL

Esta crónica vais er um bocadinho confusa porque aqui são 3h da manhã e estou muito cansada, mas sei que tenho já muita coisa para contar que me aconteceu.
Para não dar cabo da minha luta contra o fuso horário que faz alguma confusão, seguem tópicos sobre o que já vi:

Loja Zara num centro comercial com mulheres todas tapadinhas com malas de marca Prada, Vuitton e Channel a provar roupa sempre tapadinhas;

Paragens de autocarro com ar condicionado e indicações para não comer ou beber;

Zonas dentro dos escritórios especificas para homens e mulheres poderem rezar separados;

Não vi nem cães nem gatos (deve ser do calor);

Calor tão forte que te constipas dentro de casa com o gelo do ar condicionado;

Um rio que atravessa o Dubai com barcos de madeira tradicionais, num meio de um souk e onde bebes um excelente chá marroquino enquanto indianos fazem picnic no chão e o minarete chama à oração;

Factura em português é factura em árabe.

Tenho muito sono vou dormir.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

GOOD MORNING DUBAI!!!!!!

Isto de chegar a meio da noite ao Dubai, cheia de sono (levantei-me às 5h da manhã e só cheguei aqui às 23h40 locais, o que totaliza cerca de 12h de vôos com esperas em aeroportos e aviões atrasados), fez com que quando pus os pézinhos em terra nova, quase que nem senti o calor insuportável. Sobretudo, porque o avião estava cheio de gente e com o ar gelado e a primeira impressão foi agradável. Mas assim que me apercebi, veio AQUELA bafurada tipo cobertor quentinho de Inverno e aí, siiiiiiim, UAU QUE CALORAÇA!!!! mas não me dei por vencida, porque gosto de quentinho, embora este seja misturado com muita humidade e parece que se corta à faca.
Fiquei em transe enquanto percorria o caminho de autocarro entre o avião e o aeroporto: diálogos em várias linguas, mulheres cobertas de véus e caras ocidentais com cabelos louros, ruivos, grisalhos e castanhos representando tudo o que há de cosmopolita nesta parte do planeta.
Enquanto esperava pela mala, foi mais interessante: homens de branco como manda o costume, mulheres de mãos pintadas com henné, muitos homens carregadores de malas com tez indiana, paquistanesa ou do Bangladesh. Um mar de gente a mexer-se de um lado para o outro. Curioso mundo cheio de homens. As mulheres, por estarem cobertas, parecem sombras discretas, impalpáveis (em todos os sentidos), como se não estivessem ali. Em contraste com as estrangeiras, com braços e pernas ao léu, calções curtos e saias, carne e ombros roliços.... que tentação!
Percorremos a cidade até ao hotel no meio de estradas com 5 faixas e prédios em construção. Parecia uma Expo em ponto gigante, um pais a crescer a cada segundo. Desmanchei a mala num ápice e mergulhei numa caminha aconchegante.
Acordei às 8h locais (5h da manhã em Lisboa), fresca que nem uma alface. Abri as cortinas do 6ºandar e aí vi com novos olhos até onde a vista alcança. A parte baixa da cidade está coberta de um nevoeiro feito de humidade e talvez poluição que dá um ar de suspense à cidade. Como estou na minha bolha-quarto, ainda nem sei qual a temperatura exterior, mas deve ser alta.
Vou trabalhar um pouco e tomar o pequeno-almoço

domingo, 17 de agosto de 2008

LEAVING ON A JET PLANE

Pois é. De repente, já estou quase de partida. A semana passou tão depressa que hoje vou começar a preparar a mala. Levanto vôo 3ªfeira dia 19 em direcção ao Dubai. Cada vez que tive um episódio destes na minha vida, só me lembro da cançãozinha do John Denver que foi repescada para o filme Armagedon "cause I'm leaving on a jet plane, don't know when I'll be back again" e fico com arrepios na espinha e frio na barriga.


ADOOOOOORO VIAJAR. Adoro levantar vôo ver o país pequenino cá em baixo, fazer um adeusinho curto e recostar-me para trás a pensar já em novas aventuras... Confesso que, por inumeras razões, estou entusiasmadissima e aliviada por partir. Pensei que nunca mais chegava o primeiro vôo.


Na sexta-feira, andei quase duas horas à procura de uma imagem que reflectisse o meu estado de alma, e que pudesse pôr no desktop do meu portátil. Acabei por optar por uma foto do mundo à noite a dormir, com as luzes a brilhar indicando presença humana. Era a imagem contrária à que estamos habituados a focar. O nosso mundo visto do céu e de noite parece sereno. Sentimento estranho.... esse de sereno.


Ontem, com o eclipse parcial da lua, que me dirão não é nada de especial, fiquei a imaginar povos antigos a olhar antes de mim para o mesmo céu, num outro eclipse lunar e com outros receios outros fascinios. Que sentiriam os Maias, os Mongóis, os Maoris? E isto só pensando em tribos começadas pela letra M!!!


Indo começar a contagem decrescente para a missão espacial "Blondie in Middle East", agradeço desde já todo o apoio incondicional dos meus amigos e familia, ao longo da preparação psicológica necessária e espero em breve voltar a entrar em contacto galacticamente. Vou preparar-me para a viagem ao futuro. Bjs para todos e em nome da Terra, fiquem bem e em paz.

domingo, 10 de agosto de 2008

Preparação profissional

Estranha esta capacidade humana de se conseguir adaptar num ápice a novas situações. Não sei se instinto de sobrevivência ou curiosidade por ir mais além, nem que seja só explorando o dentro de nós, da nossa cabeça... deixar um conhecimento sólido, palpável, constante e começar de novo a aprender. Tipo renascimento ou abrir portas a outros mundos, outras formas de estar.



Neste caso concreto, deixar o turismo para trás cheio de letras, numeros, horários, entradas, saídas, descolagens, quartos de hoteis, passeios, excursões, civilizações, geografias, culturas, negócios, preguiças, familias, solidões e afins e mergulhar em imagens, sons, sombras, palavras, emoções outras.



Impressionantes mundos profissionais lado em lado cada um na sua caixinha de instrumentos próprios, criando continuamente uma nova obra efémera mas tão cheia de cunho, de vida tão própria, que se diria pulsante.



Sinto que estou numa empresa de paixão: gente nova, de cabeça e ferramentas, ambiente zen mas com muita tensão de responsabilidade, ideias e pessoas fervilhando de acção... era uma das coisas que estava a precisar. A primeira semana de trabalho teletransportou-me para este outro mundo de produção de filmes em 3D com técnicas dignas de ficção cientifica em terras lusas para exportação para o Médio-Oriente.



Preparo-me lentamente para a primeira descolagem que ainda não tem data marcada mas que não me enerva. Não receio nem antevejo. Deixo-me ir ... dou-me tempo para me ambientar.



No novo ambiente, não há hierarquização, só equipa de trabalho. Longos momentos de concentração entrecortados por gargalhadas, troca de olhares ou espreguiçar corporal. A arte faz-se de paciência e dedicação. Quando estiver lá, a distância nunca será grande, repetem-me todos. Estarão sempre comigo. Sensação de missão espacial.



Tive também mais alguma informação prática sobre o Dubai. Conheci em Lisboa dois dos meus futuros clientes locais e as primeiras impressões lançaram semente. Homens muito novos, activos , curiosos, com inglês qb e modernos no trato. Passámos 3 dias juntos a trabalhar e correu muito bem. Aproveitei para confirmar que o ramadão começa a 1 de Setembro, situação que eventualmente me obrigará a partir mais cedo que previsto, porque entre a habituação ao clima e o respeito imposto pelas regras de jejum rigoroso de 4 luas seria aconselhável não sofrer tudo de uma vez só. O facto de estar ainda muito calor neste momento (cerca de 48º e 80% de humidade) aliado a férias e preparação do ramadão precipitam algumas datas, mas por mim, já tenho a farda vestida. Além disso, não parto só. Acompanha-me a Marisa, minha comandante de missão que já vive no Dubai há quase um ano e me vai colocar no tabuleiro correcto de xadrez.



A crónica vai longa .Vou aproveitar para fazer uma chek-list do que ainda me falta tratar antes de partir.