Deram-me indicação de uma rádio por net absolutamente extraordinária e que percorre a minha vida sempre que estou agarrada ao computer. Dá pelo nome de Live365 - online radio station e passa imensos géneros de musica, podendo ser escolhida consoante o nosso estado de alma. Quando me quero concentrar ouço Whispering, musica tocada só com piano e que abrange desde o clássico a toda a gama de musica moderna. Se estou com vontade de musica fácil, claro que opto pela Easy Listening, mas a minha preferida é a que dá pelo sugestivo nome de Dancing Queen Radio e que me faz voltar atrás 25 anos!!!!!! UAU!!! Melhor que creme para a pele, porque passa TODAS e digo bem, TODAS as musicas que eu dançei até cair, nas noites longas das minhas saídas em Lisboa. Ai que bom que é ouvir Pet Shop Boys à mistura com New Order, Gloria Gaynor, Dionne Warwick ou Donna Summer.......ADORO!!!! Impressionante o que conseguiram reunir para pôr as Dancing Queens de todo o mundo a mexer as ancas, rebolar o peito ou esticar os braços para o céu num hino à alegria, tantos anos depois de terem sido sucessos de Verão.
Penso nisto quando vou ao meu cabeleireiro no Dubai e que parece saido de uma comédia kitsch porque tem manicuras filipinas, cabeleireiras marroquinas e clientes iranianas. O pior como podem imaginar é quando entra esta portuguesa descabelada, que agarrada a uma escova canta um dueto de ABBA com quem a quiser acompanhar, sob o olhar carregado de censura da patroa, que não se atreve a contrariar esta cliente. A menina que trata de mim (e que se chama Elsie do alto dos seus quarenta anos asiáticos) prefere os Carpenters, mas também sabe metade dos refrões das canções da altura e acabamos sempre a rir e ela a puxar-me o cabelo com a escova já regressada à sua verdadeira função de pentear.
Um destes dias ao cruzar um negro que vinha a sair de uma obra e que trauteava uma canção que também me estava no ouvido, acabámos os dois a sorrir e a repetir duas vezes o mesmo refrão: "don't worry...be happy". É tão engraçado imaginar que de repente cruzamos uma pessoa do outro lado do mundo e no meio do nada, temos esta cumplicidade musical. Isto tanto funciona com musica pop como com musica clássica.
Esta tarde, quando apresentava numa primeira reunião um dos filmes que fazemos para promoção imobiliária e trauteei sem consciência a musica que o acompanhava, recebi o seguinte comentário do cliente: "Deve gostar muito do que faz. Quem canta a trabalhar, demonstra paixão, empenho e à-vontade no produto". Dito por um paquistanês director de desenvolvimento de um projecto do tamanho de uma cidade inteira (tipo Almada), só lhe pude responder que em Portugal, existe um provérbio antigo que diz que quem canta, seu mal espanta. Foi uma forma diferente de quebrar o gelo numa situação de trabalho que estava um tanto tensa e que acabou a rolar de descontracção.
Nos taxis do Dubai, também passam musica do século passado em algumas estações. É divertido sermos nós a espetar o pescoçinho para a frente e deparar com um motorista a cantar baixinho enquanto guia no meio da grande confusão de trânsito do Dubai, em que os semáforos demoram quase 5 minutos a mudar de côr. Deve ser porque há poucos sinais de trânsito. Ainda não acabaram as obras todas e até lá, não há nada a fazer porque todos os dias e noites, o sentido das estradas pode ser alterado. Uma pessoa acorda e de repente, quando sai para a rua de carro ou a pé, tem um, dois ou três desvios, porque de noite, houve uns malandros que em nome das obras em que estavam empenhados, precisam daquele bocadinho de estrada ou de passeio e lá vamos nós todos em gincana. Um verdadeiro delirio!!! Ninguém se pode queixar de rotina nesta latitude.
E os prédios? É muito importante saber o nome dos mais emblemáticos (que são todos porque o Dubai tem os prédios mais incriveis do mundo) e isto porque como não há ruas, nem numeros de porta, não há entrega de correio. Logo não existe a profissão de carteiro no Dubai! Só estafetas que entregam a correspondência directamente numa caixa postal ou numa recepção de prédio. É muito lógico, porque as obras ainda não terminaram e quando terminarem logo se vê se vão existir carteiros ou se já não vale a pena, porque já todos os locais se habituaram a viver sem carteiros.
Imaginem o engraçado que é descobrir onde estão instaladas as empresas. Falamos com o cliente, ele envia-nos um mapa de localização da zona, com indicação do prédio à esquerda e à direita e o andar. Para bom entendedor, meia palavra basta. Ás vezes, nem isso!!! Dizem só qualquer coisa como: "Está a ver onde fica a torre ao lado do Hotel Shangri-La? A nossa empresa fica do outro lado da avenida, entre o Kentucky Fried Chicken e o restaurante libanês. É muito fácil. Nós estamos no 25º andar."
Quem disse que eu não me ia divertir no Dubai?
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
sábado, 8 de novembro de 2008
TERCEIRO JET-LAG
Não sei quanto tempo voou desde que saí do Dubai, estive em Portugal e regressei outra vez. Esta confusão horária é capaz de começar a seguir-me por mais voltas de avião e de rotação da terra que eu dê. A diferença horária trouxe-me algumas surpresas biológicas que não estava à espera, mas acho que vou calmamente esperar que o corpo abrande porque não existe outra maneira de o pôr no sítio.
Com a mudança de hora em Portugal, a diferença agora é de 4 horas. De manhã, ao acordar no Dubai parece estranho, porque se olharmos para qualquer relógio, são 3 da manhã em Lisboa, mas à noite, dá-me uma espertina que nem sei o que fazer. Já mudei horas de refeições, fiz foto-sintese deixando-me ficar a apanhar sol para regular o horário, mas nada. Acabei de me juntar aos milhares de expatriados que de vez em quando têm um ar zombie, quando menos se espera. Tipo beber café com ar de quem precisam de uma almofada ou ter um ar desgrenhado a meio do dia, sem razão de ser, mas por puro esquecimento de se terem penteado.
Se calhar este jet-lag, tem influência do clima e resulta na própria vivência local. Eu explico.
O calor aqui é grande e humido. Quero eu dizer com isto que o Verão, de Abril a Setembro, tem 48º de média e o Inverno, no resto do ano, só desce para 25º a 35º com vento quente à mistura.
As pessoas andam com ritmo de deserto: devagar. E o fuso horário, que não ajuda nada, ainda nos torna mais molenguitas. Se não reagimos, ficamos árabes. Quero eu dizer com isto, lentos.
O stress aqui não é recorrente porque assim como vem, vai-se embora. Acho que sem se enerva mais (e particularmente no trânsito) são só mesmo os árabes, que fazem despiques de buzina com os indianos, paquistaneses e outros da mesma região que são eximios condutores de taxi, guiando pela cidade inteira, com a mãozinha sempre a fugir para o sonoro.
A unica vez que questionei porque fazem os indianos aquele chinfrim tão irritante, tive a resposta mais incrivel da minha vida: "É para os outros condutores saberem que eu vou aqui".
E com isto, acabo aqui hoje a minha crónica.
Com a mudança de hora em Portugal, a diferença agora é de 4 horas. De manhã, ao acordar no Dubai parece estranho, porque se olharmos para qualquer relógio, são 3 da manhã em Lisboa, mas à noite, dá-me uma espertina que nem sei o que fazer. Já mudei horas de refeições, fiz foto-sintese deixando-me ficar a apanhar sol para regular o horário, mas nada. Acabei de me juntar aos milhares de expatriados que de vez em quando têm um ar zombie, quando menos se espera. Tipo beber café com ar de quem precisam de uma almofada ou ter um ar desgrenhado a meio do dia, sem razão de ser, mas por puro esquecimento de se terem penteado.
Se calhar este jet-lag, tem influência do clima e resulta na própria vivência local. Eu explico.
O calor aqui é grande e humido. Quero eu dizer com isto que o Verão, de Abril a Setembro, tem 48º de média e o Inverno, no resto do ano, só desce para 25º a 35º com vento quente à mistura.
As pessoas andam com ritmo de deserto: devagar. E o fuso horário, que não ajuda nada, ainda nos torna mais molenguitas. Se não reagimos, ficamos árabes. Quero eu dizer com isto, lentos.
O stress aqui não é recorrente porque assim como vem, vai-se embora. Acho que sem se enerva mais (e particularmente no trânsito) são só mesmo os árabes, que fazem despiques de buzina com os indianos, paquistaneses e outros da mesma região que são eximios condutores de taxi, guiando pela cidade inteira, com a mãozinha sempre a fugir para o sonoro.
A unica vez que questionei porque fazem os indianos aquele chinfrim tão irritante, tive a resposta mais incrivel da minha vida: "É para os outros condutores saberem que eu vou aqui".
E com isto, acabo aqui hoje a minha crónica.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
AFECTIVIDADE
Pois é, esta primeira longa missão tem sido particularmente feliz e já estou completamente ambientada porque definitivamente ainda existem no mundo, pequenos oásis de bem-estar, paz e boa vontade.
O Dubai tem de facto qualidade de vida, não obstante o pó das obras que é constante. Há uma imensa vontade natural de agradar e singrar. Sinto-me entre iguais. Aliás, melhor que isso. No que toca a lambidela no ego, nada melhor que uma loura ser bem galada com um profundo olhar, vezes e vezes sem conta, sem saber mais o que fazer, visto que o contraste com a gente local é ENORME. A melhor parte vem a seguir quando estes olhares são apanhados em flagrante e segue um sorriso entre o atrevido e o envergonhado, de quem nunca ousará dar um passo mais à frente. Fiquemos por aqui.
A cultura árabe não permite nenhum desvaneio com conotação explicita. Não existem demonstrações de afecto sem decoro (beijos, abraços ou outros sinais de ternura), embora se ande de mão dada. São mães com filhas, pais com filhos, amigas com amigas e versão masculina também, mas fica sempre de fora aquela outra forma mais explicita de se dizer com o corpo "amo-te", "adoro-te" ou "fica mais um bocadinho ao pé de mim".
Não sei ainda quais serão as demonstrações afectivas locais mais corporais, porque não estou com muita vontade fisica de os confrontar. O mais próximo que tive de perceber esta forma de afecção, foi durante a primeira visita, ter trabalhado numa empresa em que existiam muitos representantes dos dois sexos do grande mundo árabe e aí tive direito ao verdadeiro menu de aproximação e distância. Desde o mais tradicional homem que não olhava para mim enquanto falava, ao religioso que não me podia tocar e fugia da minha mão estendida, tive de facto parco contacto de emoção . Mas quando cheguei às mulheres, foi mais divertido, porque descobri que embora no inicio de uma relação profissional não nos tocássemos, cheguei a ter direito a vários abracinhos e beijinhos no momento da despedida. Quando neste segunda viagem as reencontrei, parecia uma festa de meninas, com toda uma alegria transbordante....será que também são assim na intimidade? Estranho mundo árabe.
Por mim, o mimo nunca faz mal a quem dá ou recebe e não tem nada a ver com conotação sexual. É puro mel de troca de boa energia e de certeza que faz bem à alma. Se calhar, ainda vou descobrir que os árabes têm uma costela portuguesa de gostar de sofrer por amor....coitaditos!
Só lhes faltará aquele ar sofredor que o meu Portugal arrasta, suspirando desde que se levanta até que se deita, maldizendo a vida por não ser fadista. Ou será que foram os portuguese s que aprenderam a ser como os árabes?
É nestas alturas que eu penso que o Dubai é um paraiso. Nem que seja pelo sorriso que as pessoas têm na cara quando cruzamos um segundo o seu olhar. Sim porque aqui, quando anda na rua, nenhuma mulher sustenta o olhar de um homem para não ser interpretada como uam mulher fácil. Uma mulher, para se fazer respeitar, só sustenta o olhar quando está a trabalhar.
O Dubai tem de facto qualidade de vida, não obstante o pó das obras que é constante. Há uma imensa vontade natural de agradar e singrar. Sinto-me entre iguais. Aliás, melhor que isso. No que toca a lambidela no ego, nada melhor que uma loura ser bem galada com um profundo olhar, vezes e vezes sem conta, sem saber mais o que fazer, visto que o contraste com a gente local é ENORME. A melhor parte vem a seguir quando estes olhares são apanhados em flagrante e segue um sorriso entre o atrevido e o envergonhado, de quem nunca ousará dar um passo mais à frente. Fiquemos por aqui.
A cultura árabe não permite nenhum desvaneio com conotação explicita. Não existem demonstrações de afecto sem decoro (beijos, abraços ou outros sinais de ternura), embora se ande de mão dada. São mães com filhas, pais com filhos, amigas com amigas e versão masculina também, mas fica sempre de fora aquela outra forma mais explicita de se dizer com o corpo "amo-te", "adoro-te" ou "fica mais um bocadinho ao pé de mim".
Não sei ainda quais serão as demonstrações afectivas locais mais corporais, porque não estou com muita vontade fisica de os confrontar. O mais próximo que tive de perceber esta forma de afecção, foi durante a primeira visita, ter trabalhado numa empresa em que existiam muitos representantes dos dois sexos do grande mundo árabe e aí tive direito ao verdadeiro menu de aproximação e distância. Desde o mais tradicional homem que não olhava para mim enquanto falava, ao religioso que não me podia tocar e fugia da minha mão estendida, tive de facto parco contacto de emoção . Mas quando cheguei às mulheres, foi mais divertido, porque descobri que embora no inicio de uma relação profissional não nos tocássemos, cheguei a ter direito a vários abracinhos e beijinhos no momento da despedida. Quando neste segunda viagem as reencontrei, parecia uma festa de meninas, com toda uma alegria transbordante....será que também são assim na intimidade? Estranho mundo árabe.
Por mim, o mimo nunca faz mal a quem dá ou recebe e não tem nada a ver com conotação sexual. É puro mel de troca de boa energia e de certeza que faz bem à alma. Se calhar, ainda vou descobrir que os árabes têm uma costela portuguesa de gostar de sofrer por amor....coitaditos!
Só lhes faltará aquele ar sofredor que o meu Portugal arrasta, suspirando desde que se levanta até que se deita, maldizendo a vida por não ser fadista. Ou será que foram os portuguese s que aprenderam a ser como os árabes?
É nestas alturas que eu penso que o Dubai é um paraiso. Nem que seja pelo sorriso que as pessoas têm na cara quando cruzamos um segundo o seu olhar. Sim porque aqui, quando anda na rua, nenhuma mulher sustenta o olhar de um homem para não ser interpretada como uam mulher fácil. Uma mulher, para se fazer respeitar, só sustenta o olhar quando está a trabalhar.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
INDIANOS, PAQUISTANESES E OUTROS QUE TAIS....
Não resisto hoje a falar sobre os indianos, paquistaneses e outros parecidos ou da mesma raça que aqui deram à costa, tal como eu.
Tendo todo o direito de "land of opportunities" quanto eu, ocupam na sociedade do Dubai, algumas áreas de trabalho próprias, dando a primasia em serem condutores de táxis e camiões, empregados em pequenos supermercados ou outros serviços.
A primeira caracteristica da imensa multidão que pulula neste calor insuportável é o facto de andaram quase sempre muito devagar a fazer as coisas, como que poupados de alguma energia que é normalmente comum a outro ser humano do planeta Terra. Quero com isto dizer que descansam mais do que qualquer outro e precisam OBRIGATORIAMENTE de dormir uma sesta.
É ver os poucos relvados sobreviventes ao vapor diário e tórrido existente ser esmagado não por um indiano aqui ou ali, mas definitivamente por um rebanho deles e todos muito juntos numa tertulia de ressonar e sorrisos de regalo de quem o mundo pode bem acabar e eles nem dão por isso. It's amazing!!!!!
Passamos à segunda caracteristica que está intrissicamente ligada a uma postura fisica. Tendo a maioria dos indianos uma forma muito própria de falar inglês, quem falar um pouco mais do que 10 palavras, NUNCA poderá ser compreendido por um indiano porque literalmente ele só percebe 4 ou 5. Não queiram imaginar o delicioso que é imaginarmos que após um pequeno discuros explicativo, vamos ser conduzidos a local seguro ou servidos, e não! Eles responderam sim, mas não quer dizer que perceberam.
A parte fisica essa então é um misto entre o estranho e o surreal. Imaginem acompanhar um individuo que pronuncia sim com a boca, mas a cabeça desencaixa-se ao mesmo tempo, balançando da esquerda para a direita várias vezes, um bocadinho como os cãezinhos que antigamente se punham na parte de trás do carro e que se desencaixavam a cada sacudidela do motor de arranque. As primeiras vezes, nem reparei neste detalhe. As vezes seguintes, começei a ter ataques de riso compulsivo e agora, pura e simplesmente, fico louca e mentalizada que tenho que repetir o meu discurso todo outra vez, porque aqueles dois sinais indianos juntos são traduzidos por uma perca de tempo necessário para chegar talvez a bom porto.
Agora imaginem esta situação repetida ao longo do dia, em várias situações que nos cruzam, e a minha reacção instantânea assim que o meu cérebro detecta a informação visual de " lá vem mais um....." Hilariante.
Acabo esta crónica a confirmar que nada disto tem alguma conotação racista.
Tendo todo o direito de "land of opportunities" quanto eu, ocupam na sociedade do Dubai, algumas áreas de trabalho próprias, dando a primasia em serem condutores de táxis e camiões, empregados em pequenos supermercados ou outros serviços.
A primeira caracteristica da imensa multidão que pulula neste calor insuportável é o facto de andaram quase sempre muito devagar a fazer as coisas, como que poupados de alguma energia que é normalmente comum a outro ser humano do planeta Terra. Quero com isto dizer que descansam mais do que qualquer outro e precisam OBRIGATORIAMENTE de dormir uma sesta.
É ver os poucos relvados sobreviventes ao vapor diário e tórrido existente ser esmagado não por um indiano aqui ou ali, mas definitivamente por um rebanho deles e todos muito juntos numa tertulia de ressonar e sorrisos de regalo de quem o mundo pode bem acabar e eles nem dão por isso. It's amazing!!!!!
Passamos à segunda caracteristica que está intrissicamente ligada a uma postura fisica. Tendo a maioria dos indianos uma forma muito própria de falar inglês, quem falar um pouco mais do que 10 palavras, NUNCA poderá ser compreendido por um indiano porque literalmente ele só percebe 4 ou 5. Não queiram imaginar o delicioso que é imaginarmos que após um pequeno discuros explicativo, vamos ser conduzidos a local seguro ou servidos, e não! Eles responderam sim, mas não quer dizer que perceberam.
A parte fisica essa então é um misto entre o estranho e o surreal. Imaginem acompanhar um individuo que pronuncia sim com a boca, mas a cabeça desencaixa-se ao mesmo tempo, balançando da esquerda para a direita várias vezes, um bocadinho como os cãezinhos que antigamente se punham na parte de trás do carro e que se desencaixavam a cada sacudidela do motor de arranque. As primeiras vezes, nem reparei neste detalhe. As vezes seguintes, começei a ter ataques de riso compulsivo e agora, pura e simplesmente, fico louca e mentalizada que tenho que repetir o meu discurso todo outra vez, porque aqueles dois sinais indianos juntos são traduzidos por uma perca de tempo necessário para chegar talvez a bom porto.
Agora imaginem esta situação repetida ao longo do dia, em várias situações que nos cruzam, e a minha reacção instantânea assim que o meu cérebro detecta a informação visual de " lá vem mais um....." Hilariante.
Acabo esta crónica a confirmar que nada disto tem alguma conotação racista.
domingo, 12 de outubro de 2008
DE LÁ PARA CÁ... AFINAL É IGUAL
Já faz um tempo desde a ultima crónica e já voltei outra vez para o Dubai. Agora é que começou o baptismo de fogo, porque vou finalmente ver no seu dia-a-dia o que são os nativos. A nossa empresa esteve presente numa feira profissional e durante cerca de 4 dias que acabaram há pouco foi um corropio de gente dos 4 cantos do globo, a porem-me à prova e a tirar teimas de tanta ideia pré-feita...
OK, aqui vão as maiores duvidas devidamente desmistificadas:
1º - Embora o fato tradicional dos árabes seja branco e comprido é como a saia do escocês. Não faço a minima ideia do que existe por baixo, nem se existe.
2º - Os locais têm uma obsessão real pelas louras, mas acho que aqui a teriam naturalmente porque o produto local só deve ter algum interesse também debaixo dos panos (ver ponto 1, mas em preto no que respeita ao traje feminino).
3º- A partir deste momento, qualquer definição que sai deste deserto imenso e que tenha algum movimento é chamativo. Tanto pode ser uma conversa entre amigos como um olhar lascivo.
4º - Na grande maioria, não acho os e as locais diferentes do resto do mundo, excepto no que toca aos costumes locais e aí há muito a dizer. A religião impera com a mesma frequência que a hipocrisia e toda a gente pensa exactamente na mesma coisa que no Ocidente...sem comentários.
5º - A unica lambidela no ego poderá eventualmente ser o facto que uma rapariga da minha idade com todo o recato da mesma, ainda dá cartas sem precisar de jogar com o baralho errado, porque existe algum cavalheirismo e alguns homens dão-nos passagem ou abrem a porta, costume que quase desapareceu na Europa.
Tudo isto para concluir, que neste sentido, estou segura e por enquanto, ainda não houve assédio possivel para poder fazer alguma crónica.
OK, aqui vão as maiores duvidas devidamente desmistificadas:
1º - Embora o fato tradicional dos árabes seja branco e comprido é como a saia do escocês. Não faço a minima ideia do que existe por baixo, nem se existe.
2º - Os locais têm uma obsessão real pelas louras, mas acho que aqui a teriam naturalmente porque o produto local só deve ter algum interesse também debaixo dos panos (ver ponto 1, mas em preto no que respeita ao traje feminino).
3º- A partir deste momento, qualquer definição que sai deste deserto imenso e que tenha algum movimento é chamativo. Tanto pode ser uma conversa entre amigos como um olhar lascivo.
4º - Na grande maioria, não acho os e as locais diferentes do resto do mundo, excepto no que toca aos costumes locais e aí há muito a dizer. A religião impera com a mesma frequência que a hipocrisia e toda a gente pensa exactamente na mesma coisa que no Ocidente...sem comentários.
5º - A unica lambidela no ego poderá eventualmente ser o facto que uma rapariga da minha idade com todo o recato da mesma, ainda dá cartas sem precisar de jogar com o baralho errado, porque existe algum cavalheirismo e alguns homens dão-nos passagem ou abrem a porta, costume que quase desapareceu na Europa.
Tudo isto para concluir, que neste sentido, estou segura e por enquanto, ainda não houve assédio possivel para poder fazer alguma crónica.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
47
Pois é, quinze dias sem escrever e há já alguns dias com saudades de o fazer, mas o mundo corre, corre e estou quase a ir embora outra vez.
Hoje é um daqueles dias só meus que me enchem de boa energia, com os olhos desejosos de ver mais e o corpinho a querer viver. J'ADORE LA VIE!!!!
Adoro tudo o que a vida me tem trazido, mesmo quando parece tudo tão dificil e de repente, um sinalzinho vindo de não sei aonde que nos diz "vai em frente, garota!" e eu disparo a correr internamente sem parar, sem parar....é tão bom!
Quem me dera que o mundo fosse um pouco mais assim com vontade de chegar lá, com esforço e recompensa, mas sempre a ir em frente. É um pouco dificil explicar tudo isto, porque não sei se eu fui crescendo assim ou se cresceu dentro de mim, mas esta energia de contagiar e expandir, chega a ser tão forte que se torna dolorosa, porque justamente parece que é um planeta só meu, quando é exactamente o oposto!
É como uma tremenda fé na espécie humana.
Por exemplo, a musica. Consigo ouvir tudo, mesmo o que não gosto, e dou a volta ao assunto de maneira a não sentir o que ela não tem a ver comigo. Quero dizer que se vou pensar DEMAIS na emoção da musica pimba, não vou conseguir ultrapassar esse preconceito e só vou fazer mal a mim própria. Ora a musica pimba é como outro preconceito qualquer. Tipo, a prostituição.
Toda a minha gente a condena, mas o que é um facto é que se existe é porque há pessoas que precisam de prostitutas para uma parte das suas vidas. Quem sou eu para condenar essas pessoas ou dizer que se não houvessem putas, não havia prostituição? Hoje em dia, toda a gente opina e pouca gente se enxerga.Falar dos outros para não falar de si, é uma excelente desculpa para desviar as atenções.
Tento ser coerente e zen. Nada de condenar preconceitos, porque TODOS temos defeitos. Alguns bem feiosos.
Mas chega de falar de situações desagradáveis. Hoje quero ser mimada com abraços e beijinhos, companhia de pessoas com boas energias, copos na mão e musica no ar.
A vida explode a cada instante e é preciso agarrar dom tão precioso e tão efémero.
Deitar para trás das costas o que não nos ajuda e nem pensar mais nisso, porque só d epensar dá nausea. Devia ter feito, devia ter dito....o melhor mesmo é não lamentar porque com dizia um cómico que foi ao Muro das Lamentações em Israel "Nem no unico sitio onde eu pensava que o poderia fazer, me deixaram lamentar-me. Desisti."
Pois é, estando o mundo como está, o melhor mesmo é cantar para espantar os maus espiritos.
Hoje é um daqueles dias só meus que me enchem de boa energia, com os olhos desejosos de ver mais e o corpinho a querer viver. J'ADORE LA VIE!!!!
Adoro tudo o que a vida me tem trazido, mesmo quando parece tudo tão dificil e de repente, um sinalzinho vindo de não sei aonde que nos diz "vai em frente, garota!" e eu disparo a correr internamente sem parar, sem parar....é tão bom!
Quem me dera que o mundo fosse um pouco mais assim com vontade de chegar lá, com esforço e recompensa, mas sempre a ir em frente. É um pouco dificil explicar tudo isto, porque não sei se eu fui crescendo assim ou se cresceu dentro de mim, mas esta energia de contagiar e expandir, chega a ser tão forte que se torna dolorosa, porque justamente parece que é um planeta só meu, quando é exactamente o oposto!
É como uma tremenda fé na espécie humana.
Por exemplo, a musica. Consigo ouvir tudo, mesmo o que não gosto, e dou a volta ao assunto de maneira a não sentir o que ela não tem a ver comigo. Quero dizer que se vou pensar DEMAIS na emoção da musica pimba, não vou conseguir ultrapassar esse preconceito e só vou fazer mal a mim própria. Ora a musica pimba é como outro preconceito qualquer. Tipo, a prostituição.
Toda a minha gente a condena, mas o que é um facto é que se existe é porque há pessoas que precisam de prostitutas para uma parte das suas vidas. Quem sou eu para condenar essas pessoas ou dizer que se não houvessem putas, não havia prostituição? Hoje em dia, toda a gente opina e pouca gente se enxerga.Falar dos outros para não falar de si, é uma excelente desculpa para desviar as atenções.
Tento ser coerente e zen. Nada de condenar preconceitos, porque TODOS temos defeitos. Alguns bem feiosos.
Mas chega de falar de situações desagradáveis. Hoje quero ser mimada com abraços e beijinhos, companhia de pessoas com boas energias, copos na mão e musica no ar.
A vida explode a cada instante e é preciso agarrar dom tão precioso e tão efémero.
Deitar para trás das costas o que não nos ajuda e nem pensar mais nisso, porque só d epensar dá nausea. Devia ter feito, devia ter dito....o melhor mesmo é não lamentar porque com dizia um cómico que foi ao Muro das Lamentações em Israel "Nem no unico sitio onde eu pensava que o poderia fazer, me deixaram lamentar-me. Desisti."
Pois é, estando o mundo como está, o melhor mesmo é cantar para espantar os maus espiritos.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
11 de Setembro
Já passaram 7 anos desde Nova Iorque com panico, fumo e horror e já passaram 7 dias em Lisboa com alegria, céu aberto e barriguinha cheia de coisas boas: paparoca portuguesa em jantar com amigos do coração (obrigada Luis pelo jantar e Guida pelas gargalhadas), cantiguinhas sussuradas no escuro do cinema (obrigada Constança por insistires em ir ver o Mamma Mia! É mesmo do NOSSO TEMPO!) conversas cumplices no tmn a caminho de casa no regresso do emprego, enquanto o mundo gira igual a uma roda de automóvel de carros que entompem a 2ªcircular com caras a bufar lá dentro. Não percebi se era calor ou já stress tipo "acabaram-se as férias". Muito se queixa esta gente que tem carro, que tem emprego e que tem casa para onde ir dormir com comida quente à espera no prato! Quando chegar o Inverno, vão se queixar que está muito frio. Não há cu que aguente este mal de viver....
Só me apetece cantar o "Chunginha da Belita", grande sucesso pimba quase desconhecido do grande publico, mas que associo sempre a momentos de diversão do Verão que está a acabar para Portugal, mas que para mim vai eternizar-se pelo Inverno adentro.
Estava aqui a pensar para os meus botões made in china, que já passei um ano na Suécia com 6 meses de noite cerrada e Inverno rigorosissimo e 4 meses de sol da meia-noite, com mais 2 meses de auroras boreais, a ouvir muito ABBA. Já cantava Dancing Queen desde os 16 anos, mas a canção da altura muito ousada era Gimme, Gimme a man after midnight e a outra canção Voulez-vous qu tinha interpretação quase tão lasciva quanto Je t'aime moi non plus da Jane Birkin ou Voulez-vous coucher avec moi....a lingua francesa sempre se prestou a cenas de sexo de boca. Quero eu dizer com isto que falava-se muito de "ménage à trois", "garçonnières" enquanto Grace Jones recriava em estilo dengoso "La vie en rose" da Edith Piaf.
30 anos depois, aqui estou eu a meio da noite a falar de boa musica para boa cama e a imaginar o que vai ser dormir durante um longo Verão sem grandes responsabilidades familiares (desculpa lá qualquer coisinha Miguel, mas SEI o quanto confias em mim, mesmo nos piores momentos de loucura momentânea), livre de algumas tarefas domésticas que fazem as grandes amigas ficarem verdinhas de inveja e pronta para dar o melhor.
Não se preocupem com o bronze. Lá, daquele lado, o sol não queima como aqui e o céu está sempre encoberto. Take a chance on me.
Só me apetece cantar o "Chunginha da Belita", grande sucesso pimba quase desconhecido do grande publico, mas que associo sempre a momentos de diversão do Verão que está a acabar para Portugal, mas que para mim vai eternizar-se pelo Inverno adentro.
Estava aqui a pensar para os meus botões made in china, que já passei um ano na Suécia com 6 meses de noite cerrada e Inverno rigorosissimo e 4 meses de sol da meia-noite, com mais 2 meses de auroras boreais, a ouvir muito ABBA. Já cantava Dancing Queen desde os 16 anos, mas a canção da altura muito ousada era Gimme, Gimme a man after midnight e a outra canção Voulez-vous qu tinha interpretação quase tão lasciva quanto Je t'aime moi non plus da Jane Birkin ou Voulez-vous coucher avec moi....a lingua francesa sempre se prestou a cenas de sexo de boca. Quero eu dizer com isto que falava-se muito de "ménage à trois", "garçonnières" enquanto Grace Jones recriava em estilo dengoso "La vie en rose" da Edith Piaf.
30 anos depois, aqui estou eu a meio da noite a falar de boa musica para boa cama e a imaginar o que vai ser dormir durante um longo Verão sem grandes responsabilidades familiares (desculpa lá qualquer coisinha Miguel, mas SEI o quanto confias em mim, mesmo nos piores momentos de loucura momentânea), livre de algumas tarefas domésticas que fazem as grandes amigas ficarem verdinhas de inveja e pronta para dar o melhor.
Não se preocupem com o bronze. Lá, daquele lado, o sol não queima como aqui e o céu está sempre encoberto. Take a chance on me.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
